Clínica Infantil Indianópolis

Alergia : vacinas, remédios e exames

Bom Dia,

Na sua aula não ficou muito claro se as crianças alérgicas ao ovo de galinha, podem afinal receber vacinas cultivadas em embrião, sem correr risco. Gostaríamos, também, de  saber como evitar a reação alérgica medicamentosa e como  interpretar os resultados falso-negativos e falso-positivos dos exames destinados ao rastreamento das alergias.


                                                                                                                                                                                        Obrigada,

                                                                                                                                                                                         Karyene Gil Fernandes    CRM 135464
                                                                                                                                                                                         Natália Gabriela Lopes dos Santos  CRM 145352  

No que concerne às vacinas cultivadas em embrião de galinha, há dúvidas quanto aos riscos de causarem reações em crianças alérgicas ao ovo ou, simplesmente, quando houver histórico familiar. 
A alergia alimentar é um processo qualitativo, ou seja, independe da quantidade ingerida, ao contrário do que se postula com relação a essas vacinas, mais especificamente com as vacinas contra a Gripe e a do Sarampo, que contém quantidades ínfimas (traços) de proteínas em suas composições, ao contrário da vacina contra a Febre Amarela, que está formalmente proscrita.  Portanto, as vacinas tríplice viral – contra o Sarampo, Caxumba e Rubéola – e a tetra viral, que inclui a Varicela (Catapóra) em sua composição, teoricamente, não oferecem grandes riscos.
Contudo, nada pode assegurar que a criança esteja totalmente isenta de riscos. 
Enfim, é necessário considerar a situação epidemiológica e pesar prós e contras – riscos e benefícios. Cada caso é um caso e como canja e prudência não fazem mal a ninguém, é prudente que a vacina seja aplicada em clínicas capacitadas para atendimento de intercorrências emergenciais.  
Não muito antigamente, havia disponibilidade de vacinas monovalentes contra o Sarampo, contra Caxumba e contra a Rubéola. Anos 2010, a única vacina monovalente comercializada é a da Varicela, porém, existe um marketing agressivo, no sentido de induzir os médicos a dar prioridade à aplicação da vacina tetravalente viral.

Alergia aos medicamentos 
Nos primeiros dois anos, aliás, a partir da idade que se inicia o desmame e a criança começa a frequentar berçários, entram em cena as infecções e os receituários com antibióticos, anti-inflamatórios, antitérmicos e outros remédios contendo corantes e aromatizantes, os quais, independentemente do seu princípio ativo, podem causar alergia medicamentosa, que, ao contrário da alergia alimentar, tende a acompanhar o paciente por toda vida. 
Para diminuir os riscos, sempre que houver antecedentes familiares, é aconselhável que os medicamentos relacionados sejam substituídos, pois a reação medicamentosa pode ir desde uma simples lesão urticariforme até alguma variante do Eritema Multiforme, cujo protótipo mais temível é a doença de Stevens Jhonson, em que o paciente assume o aspecto de grande queimado. Tratando-se de alergia à penicilina, os riscos de choque anafilático são consideráveis.

Exames da Alergia

Quanto aos exames destinados ao rastreamento das alergias alimentares e respiratórias, mais especificamente da Asma e da Rinite, temos o Rast e o Prick test – teste de leitura rápida após escarificação da pele. Ambos com especificidade e sensibilidade similares, embora o Prick test albergue certa subjetividade, já que depende da análise de quem o executa. Em crianças acima dos dois anos, especula-se uma positividade em torno de 85%, ou seja, 15 de cada 100 crianças alérgicas ficam sem a identificação do agente responsável pelo quadro clínico. 
 A interpretação desses 15% é polêmica, pois pode representar um resultado falso-negativo, como significar que o paciente não seja alérgico. No entanto, é óbvio que os exames são solicitados frente a uma suspeita clínica, que faz a diferença em valorizar estes resultados não como excludentes de alergia (como se o paciente não fosse alérgico), mas, com poucas exceções, como falso-negativos (como alergia não detectada). (яΤв).   
Nestes casos, não há muito a polemizar se os sintomas estiverem relacionados com mudanças climáticas, sazonalidade ou contato com poeira, ácaros, fungos, animais domésticos ou odores irritantes de qualquer natureza e se houver antecedentes familiares, envolvendo parentes próximos, com algum tipo de alergia e, muito menos, quando ocorre melhora após medicação antialérgica.    
Os resultados positivos, por sua vez, também geram dúvidas, principalmente em se tratando de alergia alimentar, quando apontam um determinado alimento como alérgico, que já foi consumido, por várias vezes, sem ter causado qualquer sintoma.
Rotular como falso-positivo ou, seria mais prudente, considerar como um alerta para eventuais reações, inclusive sem meios de prever a gravidade do quadro, caso o alimento suspeito continue fazendo parte do cardápio?
Merecem a mesma atenção, os casos de alergia familiar grave, quanto à possibilidade de reações ao se introduzir o alimento incriminado no cardápio da criança, particularmente no primeiro ano de vida.

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