Clínica Infantil Indianópolis

O CENÁRIO DO BEBÊ CHIADOR

“BEBÊ CHIADOR” é um termo eufêmico, que soa agradável. É simpático, porém, reflete os casos atípicos de Bronquiolite, portanto os casos de manuseio mais difícil. A abordagem diagnóstica e terapêutica é complexa pela pluralidade de fatores envolvidos, e o prognóstico é mais reservado. As recorrências são dadas, praticamente, como certas, a ponto de se considerar o “BEBÊ CHIADOR” – especialmente os que tiveram alergia declarada às proteínas do leite de vaca ou que se submeteram à restrição dos laticínios, computando-se os casos falso-negativos, como os ASMÁTICOS de amanhã. 
Embora nem todo asmático tenha sido BEBÊ CHIADOR, admite-se o BEBÊ CHIADOR como o asmático do futuro. 
Na maioria dos casos, a primeira crise de chiado no peito se manifesta entre 3 e 6 meses de vida e é diagnosticada como Bronquiolite Aguda e os episódios que se sucedem como Bronquiolite de repetição. Segundo estimativa norte-americana (Universidade de Tucson, Arizona), a incidência da Bronquiolite Aguda é de 35%, ou seja, 35 de cada 100 lactentes terão a doença e 20 destes bebês (cerca de 60%) sofrerão uma segunda crise. A causa é infecciosa, atribuída aos vírus respiratórios, particularmente ao Vírus Sincicial Respiratório.
Portanto, nestes casos – estatisticamente – não há justificativa para uma abordagem diagnóstica mais aprofundada, no sentido de apurar outras causas – causas secundárias – que por ventura possam estar envolvidas. 
No entanto, quando ocorrer três episódios de “chiadeira” em dois meses ou quando este sintoma persistir por 30 dias, condições que caracterizam o BEBÊ CHIADOR, impõe-se essa investigação, pois podem estar interagindo junto às infecções, o Refluxo Gastroesofágico, a Alergia às Proteínas do Leite de Vaca e algum agravante à imaturidade do sistema imunológico, própria dessa idade. 
A abordagem diagnóstica e terapêutica do BEBÊ CHIADOR é complexa pela variabilidade de fatores implicados, que exige conhecimento multidisciplinar na esfera da pediatria, mais especificamente nas especialidades da gastrenterologia, nutrologia, imunologia e alergologia (apesar da alergia aos inalantes ser analisada a partir dos dois anos de idade), otorrinolaringologia, devido às infecções das vias aéreas superiores, frequentemente, associadas ao “chiado no peito” e da pneumologia.
Em determinados casos, em que se cogita a correção cirúrgica dos refluxos, pesam-se os prós e contras de um cirurgião infantil, afinal, é necessário acompanhamento de uma equipe que trabalhe em consonância, muitas vezes, também envolvendo fisioterapêutas e psicólogos. 
O estudo abrange alguns exames, cujos resultados se complementam, e a realidade brasileira é que certos procedimentos de grande valia diagnóstica, quando não são inviáveis, são poucos os centros especializados referenciados que se dispõe a realizá-los nessa faixa etária.
Somam-se a essas dificuldades a impossibilidade de rastrear a alergia aos inalantes (poeira/ ácaros/fungos/pólens) antes dos dois anos e, consequentemente, firmar o diagnóstico de Asma ou de Rinite Alérgica, bem como instituir um tratamento mais direcionado, com maiores probabilidades de sucesso.

Isto tudo faz do BEBÊ CHIADOR um grupo de crianças – de lactentes – com características especiais, que deveria se estudado a parte, nos moldes da Neonatologia, que é o ramo da Pediatria destinado à assistência das crianças com até 28 dias de vida (Recém-Nascidos). (яΤв).

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