Clínica Infantil Indianópolis

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Boa Noite ,

Tenho alguams dúvidas e gostaria de saber se o Senhor pode me ajuadar?

1) Qual a indicação das vacinas e de remédios   tidos como antiasmáticos, como o Singulair , para o tratamento do Bebê Chiador , já que a alergia não pode ser identificada nessa idade?

2) Existe uma tendência para priorizar medicações de uso oral inalatório, os  aerossóis, popularmente chamados de bombinha?  A eficácia , em crianças pequenas, está comprovada?

3) Por quê não há consenso nos tratamentos profiláticos?

                                                       Obrigada, Karyene Gil Fernandes (CRM 135464)

Olá, Karyene!!
Suas perguntas são inteligentes, porém, exigem respostas polêmicas e não dá para fugir muito à prolixidade. Vou tentar:

Os imunobiológicos (vacinas) estão indicados nos casos de Estrófulo, Asma e de Rinite, mais especificamente quando o agente alergênico é identificado, o que equivale a 85% dos eventos.

 Os medicamentos adjuvantes podem ser empregados numa fase inicial, enquanto não ocorre resposta plena à ação dos imunobiológicos. Visando minimizar os riscos de efeitos colaterais, existe uma tendência em priorizar os corticóides inalatórios. Nas crianças pequenas, os mais utilizados são os derivados do Salmeterol/Fluticasona, conhecidos com os nomes de Seretide e Flixotide, ambos, da GlaxoSmithKline (GSK). Nos casos de Rinite Alérgica, as opções estão nos derivados da Fluticasona (Avamys e Flixonase spray – GSK), da Busonida (Busonid aqua – AstraZeneca) e  da Mometasona (Nasonex – Schering-Plough). A escolha depende da experiência do profissional que assiste o paciente, assim como, também, é o que determinará a necessidade de associar anti-histamínicos sistêmicos (anti-alérgicos administrados por via oral ou parenteral com ação não localizada). 
A partir do segundo aniversário, quando não é possível mapear a alergia, considerando-se os 15% de resultados não detectáveis ou falso-negativos, pode-se recorrer aos imunobiológicospolivalentes (vacinas com um mix de agentes) ou lançar mão de imunomoduladores inespecíficos, consagrados como antiasmáticos, da linha do cetotifeno (Fumarato de), disponibilizado com vários nomes comerciais, ou do montelucaste (antileucotrieno), monopolizado pela Merck Sharp & Dohme e comercializado com o nome de Singulair. Final de 2011, o laboratório ACHÉ sinaliza para o lançamento do seu produto, com preço mais acessível.
Um problema, nesses casos, está em fixar o tempo de duração do tratamento. 
 Nos primeiros dois anos de vida , portanto, focando-se o “Bebê Chiador, mais especificamente a Síndrome do Lactente com Sibilância, como não há indicação protocolar para se rastrear as alergias aos agentes inaláveis, estas medicações podem ser empregadas, como alternativa, pesando-se os prós e contras.
Com relação ao tratamento preventivo, é necessário considerar uma carga genética (genoma) com caracteres individuais, que interage com vários fatores ambientais e costumes (epigenética), de maneira que não há como padronizar condutas. Os remédios podem ser os mesmos, porém, as associações, as doses e o tempo de administração diferem e as respostas são díspares.

Quanto ao uso oral inalatório dos remédios, a eficácia está condicionada a uma dinâmica, que nas crianças de baixa idade não é nada fácil de levar a termo, mesmo com a utilização dos chamados espaçadores ou aplicadores. É necessário expirar profundamente, aplicar o jato no final da expiração e, daí, inspirar naturalmente. No final da inspiração, o pequeno paciente tem que prender a respiração por cerca de 10 segundos, para então voltar a respirar normalmente. Transcorrido, pelo menos, um minuto este procedimento poderá ser repetido, de acordo com a orientação médica.
  O mais importante é não ser radical quanto a alguns conceitos, pois existem práticas fundamentadas em teorias, mas também existem teorias sem implicações práticas importantes.
 Obviamente que a medicina com embasamento científico é a medicina que se vislumbra, a fim de se protocolar condutas, reduzir os riscos de erros médicos (iatrogenia) e baratear custos. Entretanto, não convém subestimar a medicina prática (empírica), a medicina de como faço não está escrito, mas dá certo, a qual, muitas vezes, é a que faz a diferença.

Aliás, o empirismo está embutido no que se apregoa academicamente. Basta tomar como exemplo a posologia de muitas medicações. Existe uma dose mínima, uma intermediária e uma dose máxima, um intervalo de administração e uma duração de tratamento, variáveis que ficam a critério médico.

Do outro lado, há de se pesar o embasamento científico. Questionável nos casos de remédios que faziam parte das prateleiras nas farmácias, há décadas – adquiridos até sem receituários, nos moldes brasileiros – e que foram retirados de circulação, pelos mesmos institutos reguladores responsáveis pela sua liberação.

Quanto ao aparato científico, questiona-se ainda o porquê consta descrito nas bulas, de forma até que padronizada e enfática, que este é um novo medicamento – apesar de muitos já terem sido liberados há algum tempo – e embora as pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis para comercialização, efeitos indesejáveis e não conhecidos podem ocorrer. Neste caso, informe ao seu médico.

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