Clínica Infantil Indianópolis

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Boa noite,

Gostaria de saber por que o senhor considera o Bebê chiador  como um candidato em potencial para ter asma?

Natalia Gabriela Lopes dos Santos (CRM 145352)

Bom dia, gostaria de saber: A Asma tem ou não cura? Uma vez chiador, chiador  para sempre?

Obrigada,

Hadieh Bacha (CRM 140305)

Dras. Natalia e Hadieh, suas perguntas merecem respostas que se complementam e não deixam de guardar polêmica. Aliás, como todo assunto com enfoque multiprofissional.

Dra. Natalia,

“BEBÊ CHIADOR” é um termo eufêmico, que soa agradável. É simpático, porém, reflete os casos atípicos de Bronquiolite, portanto, os casos de manuseio mais difícil. A abordagem diagnóstica e terapêutica é complexa pela pluralidade de fatores envolvidos, e o prognóstico é mais reservado. As recorrências são dadas, praticamente, como certas, a ponto de se considerar o “BEBÊ CHIADOR” – especialmente os que tiveram alergia declarada às proteínas do leite de vaca ou que se submeteram à restrição dos laticínios, computando-se os casos falso-negativos – como os ASMÁTICOS de amanhã. 
Embora nem todo asmático tenha sido ”BEBÊ CHIADOR”, admite-se que a grande maioria dos “BEBÊS CHIADORES” serão os asmáticos do futuro. 
Dra. Hadieh,
O que reza a cartilha dos alergistas, é que a alergia não tem cura, mas controle. Partindo da premissa que a causa da Asma seja a alergia aos inalantes (poeira, ácaros, fungos), não há muito a questionar quanto ao conceito da doença não ter cura. Contudo, esse radicalismo contrasta com o relato de muitos pacientes, que alegam terem sofrido de Asma quando criança. Pois é! Para os mais conservadores – para os que prezam os tabus literários – a doença está quiescente e um dia poderá voltar a se manifestar 
Merece reflexão se todos os pacientes tinham, realmente, Asma ou se os sintomas não eram decorrentes de outras causas de prognóstico mais favorável, embora a tendência seja bem a contrária.
 O diagnóstico da Asma estigmatiza os pacientes. O desconforto é tamanho, que até alguns profissionais da saúde se esquivam do diagnóstico. Optam por termos eufêmicos como Bronquite, Broncoespasmo, que sem dúvidas causam menos impacto e não tem repercussão no tratamento de resgate frente às exacerbações dos sintomas. Não mudam o tratamento, porém, distorcem a casuística. 
Estima-se que uma em cada dez crianças tenha a doença. Esta estatística encontra-se subestimada, em virtude da impossibilidade de se rastrear a alergia aos agentes inaláveis antes dos dois anos. A partir dessa idade, devido aos cerca de 15% de resultados falso-negativos, que se somam ao número de diagnóstico distorcidos.

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